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Ferro, vitamina A e vitamina D para o bebê: quem recebe, quando e onde

Em resumoPelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, o bebê nascido a termo e com peso adequado recebe ferro de forma preventiva a partir dos 6 meses e até os 2 anos, em dois ciclos de três meses, de preferência começando aos 6 e aos 12 meses; o prematuro e o de baixo peso começam aos 30 dias de vida, pela SBP. A vitamina A, em megadose, é dada nas UBS a partir dos 6 meses para as crianças das regiões e grupos do programa nacional. A SBP recomenda a vitamina D desde a primeira semana de vida; o Ministério, em 2024, diz que não se justifica dar a todas as crianças antes dos 2 anos e a indica para grupos de risco. Seguimos a SBP, e quem decide é o pediatra. Pelo Ministério, quem recebe o NutriSUS não toma outro suplemento com ferro nem a megadose de vitamina A; para o ferro, a SBP pede avaliar cada caso. A dose é sempre do profissional de saúde.

O Ministério da Saúde tem três programas de suplementação: o de ferro, o de vitamina A e o NutriSUS, um sachê de vitaminas e minerais em pó 1. Nenhum dos três é um programa de vitamina D; ela aparece só como um dos 15 nutrientes do sachê do NutriSUS 1. A recomendação de vitamina D para todos os bebês é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) 7. Esta página diz quem recebe, quando e onde. A dose de cada suplemento é do profissional de saúde que acompanha o bebê, e por isso não aparece aqui.

Ferro

  • Para quem e quando: o Programa Nacional de Suplementação de Ferro preconiza ferro preventivo para todas as crianças de 6 a 23 meses que não recebem o NutriSUS 1. Desde 2022, são dois ciclos de três meses de ferro todo dia, com uma pausa de três meses entre eles, de preferência começando aos 6 e aos 12 meses 1.
  • A SBP diz o mesmo: a diretriz da SBP de março de 2026 descreve o esquema do Ministério e recomenda, para o bebê saudável, nascido a termo e com peso adequado, o ferro dos 6 aos 24 meses, em dois ciclos de três meses, começando de preferência aos 6 e aos 12 meses 4.
  • Antes dos 6 meses: pelo Ministério, o bebê que mama só no peito ou que toma fórmula infantil recebe o suplemento só a partir do sexto mês 1. A SBP explica que, até os 6 meses, o ferro do leite materno é bem aproveitado e atende o que o bebê precisa 4. Alguns bebês que não mamam só no peito, conforme o leite que recebem, podem começar o ferro a partir dos 4 meses; quem avalia é o profissional de saúde 1 4.
  • Prematuro ou com baixo peso: nasceu com menos de 37 semanas ou com menos de 2.500 g, o Ministério manda seguir a SBP 1. A SBP recomenda começar o ferro aos 30 dias de vida, com a dose ajustada pelo peso ao nascer, durante o primeiro ano, e manter o ferro todo dia, sem pausa, entre 12 e 24 meses 4. O prematuro que recebeu transfusão de hemácias acima de 100 mL na internação pode não precisar do ferro aos 30 dias e é avaliado caso a caso 7.
  • Onde: o ferro faz parte dos remédios básicos do SUS e deve estar nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todos os municípios; o Ministério sugere entregar o suplemento nas consultas de acompanhamento da criança 1. As consultas estão em consultas do bebê.
  • Casos especiais: a criança com doença que acumula ferro, como doença falciforme e talassemia, deve ser acompanhada de forma individual, para avaliar se pode usar o suplemento de ferro 1. Se houver anemia, o tratamento é outro e é prescrito pelo profissional de saúde 1. Palidez, cansaço, fraqueza, falta de apetite e irritabilidade podem ser sinais de falta de ferro; se aparecerem, procure a equipe de saúde 4 10.

O ferro preventivo pode causar vômito, diarreia ou intestino preso, principalmente quando é usado por muito tempo 1 4. O que muda no cocô está em cocô do bebê. Os remédios de ferro não têm todos a mesma quantidade de ferro; a SBP lembra que é preciso conferir na bula a equivalência entre gotas, mililitros e miligramas 4. A quantidade certa para cada produto é a que o profissional indicou. Se o ferro vai junto ou longe da comida depende do tipo de ferro receitado; pergunte ao profissional 4.

O bebê saudável, que cresce bem e come o que é próprio da idade, não precisa de exame de sangue de rotina para anemia; nos grupos de mais risco, o exame pode ser feito entre 9 e 12 meses 4. São de mais risco o bebê prematuro ou de baixo peso, o que teve falha no ferro preventivo, o que come pouco alimento com ferro bem aproveitado e o que cresce de menos ou demais 4.

Na comida, carnes e ovos são as principais fontes de ferro; para o corpo aproveitar esse ferro, a Caderneta pede oferecer também um alimento rico em vitamina C, como folhas verde-escuras e frutas cítricas 10. A comida nova está em introdução alimentar.

Vitamina A

A vitamina A, em megadose, uma dose alta dada pelo profissional, é dada na UBS a partir dos 6 meses, de seis em seis meses, para as crianças do programa nacional 1. Quem é prioridade depende da região 3:

  • Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e os municípios do Vale do Jequitinhonha, do Vale do Mucuri e do Norte de Minas Gerais (MG) e do Vale do Ribeira (SP): todas as crianças de 6 a 23 meses; de 24 a 59 meses, as inscritas no Cadastro Único 3.
  • Distritos Sanitários Especiais Indígenas: todas as crianças de 6 a 59 meses 3.
  • Sul e Sudeste: crianças de 6 a 23 meses inscritas no Cadastro Único, nos municípios que aderiram ao programa em 2021 3.

Esse detalhe é da Nota Técnica Conjunta nº 134/2025, de abril de 2025 3. Uma nota mais nova do Ministério, assinada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, descreve o público sem falar do Cadastro Único: de 6 a 59 meses no Norte, no Nordeste, no Centro-Oeste, nos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Ribeira e no Norte de Minas; de 6 a 23 meses em situação de vulnerabilidade social no Sul e no Sudeste; e as crianças indígenas de 6 a 59 meses dos 34 distritos 9. A Caderneta da Criança pede para verificar na UBS se o seu município faz parte do programa 10.

No dia da vitamina A, a criança pode comer menos, vomitar ou ter dor de cabeça; isso é normal e não precisa de tratamento 1. A dose é anotada na Caderneta da Criança, e a equipe programa o retorno para a próxima 3. Quando a vitamina A é dada numa campanha de vacinação, as vacinas vêm primeiro, e a vitamina A depois 3.

Vitamina D

Aqui as orientações brasileiras não são iguais:

  • SBP: recomenda a vitamina D a todos os bebês, da primeira semana de vida até os 24 meses, qualquer que seja o tipo de aleitamento ou de alimentação 7. O Manual de Alimentação da SBP abre uma exceção, que depende do leite que o bebê toma e da quantidade; o pediatra diz se é o caso 7. O prematuro começa quando passa de 1.500 g e já tolera receber toda a alimentação pela boca ou por sonda 7. O documento da SBP só sobre vitamina D, de novembro de 2024, vai além dos 2 anos: recomenda a suplementação preventiva para crianças sem fatores de risco com menos de 1 ano e de 1 a 18 anos 5. Até quando dar, o pediatra diz.
  • Ministério da Saúde: em 2024, no documento de evidências das diretrizes do Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos, diz que não se justifica dar vitamina D a todas as crianças antes dos 2 anos: o Brasil tem muito sol o ano todo, faltam evidências de que o bebê em amamentação exclusiva precise do suplemento, e no Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil de 2019 só 2,3% das crianças com menos de 2 anos tinham vitamina D insuficiente 6. O Caderno de Atenção Básica de 2012 já dizia que faltam evidências para dar a todas as crianças no Brasil e indica para crianças com fatores de risco: prematuridade, pele escura, pouca exposição ao sol, inclusive por usar filtro solar em todos os passeios, e bebê amamentado por mãe vegetariana estrita 8. O mesmo caderno diz que o bebê que mama só no peito até os 6 meses, de mãe bem nutrida, em geral não precisa de vitaminas, com exceção da vitamina K e da vitamina D em situações selecionadas 8.

Seguimos a SBP, porque o documento dela, de novembro de 2024, trata especificamente da vitamina D na criança 5. Quem decide é o pediatra que acompanha o bebê. A SBP avisa que vitamina manipulada pode aumentar o risco de intoxicação por erro de dose 5. Excesso de vitamina D pode dar falta de apetite, enjoo, vômito, dor de barriga, intestino preso, muito xixi, muita sede e fraqueza; se aparecer algum desses sinais, procure a equipe de saúde 5. Se o bebê recebe o NutriSUS, conte ao pediatra: o sachê também tem vitamina D 1.

E o sol? O Guia Alimentar do Ministério (versão resumida, 2021) incentiva: diz que expor a criança ao sol complementa a alimentação e que a exposição ao sol é o principal estímulo para o corpo produzir vitamina D 11. A SBP e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não indicam sol sem proteção para isso, porque o sol traz risco de câncer de pele e não há um nível seguro de exposição que possa ser recomendado 5. Aqui seguimos a SBP. O que ela orienta sobre o sol do bebê está em protetor solar para bebê e em banho de sol no recém-nascido.

NutriSUS

O NutriSUS é um sachê de vitaminas e minerais em pó, misturado na comida pronta da criança 2. Não se mistura em líquidos nem se aquece, e a equipe da UBS explica como usar 2. Se a criança tiver vômito, diarreia, dor de barriga ou outro sintoma com o sachê, procure a equipe da UBS 2. São três ciclos, com pausa entre eles, e os três devem ser completados 2. Hoje, a prioridade são as crianças de 6 a 23 meses dos sete estados da Região Norte e as crianças indígenas de 6 a 59 meses de 21 distritos sanitários indígenas 2. Os sachês ficam nas UBS, sem precisar de receita, e não são mais oferecidos em creches 2.

A criança que recebe o NutriSUS não deve receber outro suplemento com ferro e não precisa da megadose de vitamina A 2 10. O NutriSUS não é indicado para a criança com talassemia, hemocromatose ou doença falciforme, nem para a alimentada por sonda, nem para a que já tem diagnóstico de anemia ou de outra deficiência nutricional, que faz o tratamento acompanhada pela UBS 2. A SBP pede avaliação individual da criança que usa fortificação da comida em casa ou outro suplemento com vitaminas e minerais 4. Aqui seguimos o Ministério, porque o NutriSUS e o ferro preventivo são programas dele, entregues na UBS: quem recebe o sachê não recebe o ferro do programa 2. Se houver outra indicação de ferro, siga o profissional de saúde que acompanha o bebê.

Perguntas frequentes

Com quantos meses o bebê começa o ferro?

O bebê nascido a termo e com peso adequado começa aos 6 meses, pelo Ministério da Saúde e pela SBP 1 4. Alguns bebês que não mamam só no peito podem começar a partir dos 4 meses, conforme o leite que recebem; quem avalia é o profissional de saúde 1 4. O prematuro ou de baixo peso começa aos 30 dias de vida, pela SBP 4.

Onde pegar o ferro do bebê?

Nas farmácias das UBS: o ferro faz parte dos remédios básicos do SUS e deve estar disponível em todos os municípios 1.

Todo bebê precisa de vitamina D?

Pela SBP, sim, desde a primeira semana de vida, com uma exceção que o pediatra avalia 7. O Manual de Alimentação dá a todos até os 2 anos e manda continuar depois para a criança que não recebe vitamina D o bastante na comida ou não toma sol com regularidade 7; o documento da SBP sobre vitamina D, de novembro de 2024, recomenda de 1 a 18 anos 5. O Ministério, em 2024, diz que não se justifica dar a todas as crianças antes dos 2 anos 6, e o caderno de 2012 indica para grupos de risco 8. Converse com o pediatra que acompanha o bebê.

Meu bebê pode receber a vitamina A na UBS?

Depende da região e, em algumas idades, da situação social da família 3 9. Pergunte na UBS se o seu município faz parte do programa 10.

Quem toma NutriSUS também toma ferro?

Pelo Ministério da Saúde, não: o sachê já tem ferro, e a criança que recebe o NutriSUS não deve receber outro suplemento com ferro 2. A SBP pede avaliar cada caso; na dúvida, siga o profissional que acompanha o bebê 4.

Escrito por Equipe CotokimConferido por Equipe Cotokim com as fontes desta página, em 13 de outubro de 2026

Fontes

  1. Ministério da Saúde, Caderno dos Programas Nacionais de Suplementação de Micronutrientes, 2ª edição (2025). Lido em 12 de outubro de 2026.
  2. Ministério da Saúde (gov.br/saude), NutriSUS: perguntas frequentes (atualizado em 29/09/2026). Lido em 12 de outubro de 2026.
  3. Ministério da Saúde (cópia publicada pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina), Nota Técnica Conjunta nº 134/2025 (administração e armazenamento das megadoses de vitamina A). Lido em 12 de outubro de 2026.
  4. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamentos de Nutrologia e de Hematologia e Hemoterapia, Recomendações para o tratamento e prevenção da deficiência de ferro e anemia ferropriva em lactentes, Atualização 2026 (Diretrizes nº 32, 17/03/2026). Lido em 12 de outubro de 2026.
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Endocrinologia, Hipovitaminose D em pediatria: diagnóstico, tratamento e prevenção, Atualização (Documento Científico nº 181, 04/11/2024). Lido em 12 de outubro de 2026.
  6. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Diretrizes e recomendações do guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos: documento de evidências (1ª edição, 2024). Lido em 13 de outubro de 2026.
  7. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Nutrologia, Manual de Alimentação, 5ª edição (2024). Lido em 12 de outubro de 2026.
  8. Ministério da Saúde, Cadernos de Atenção Básica nº 33: Saúde da criança, crescimento e desenvolvimento (2012). Lido em 12 de outubro de 2026.
  9. Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta nº 02/2025-SCTIE/SAPS/SVSA (vitamina A na suspeita de sarampo; públicos prioritários do programa). Lido em 12 de outubro de 2026.
  10. Ministério da Saúde (BVS MS), Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania, Menina, 7ª edição revisada. Lido em 11 de outubro de 2026.
  11. Ministério da Saúde (Biblioteca Virtual em Saúde), Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos (versão resumida). Lido em 11 de outubro de 2026.