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Choro e cólica do bebê: o que é normal, o que acalma e quando procurar atendimento

Em resumoChorar é normal: pela Caderneta da Criança, é um dos jeitos de o bebê se expressar, o colo e o peito costumam acalmar, e colo não vicia. Pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cólica é o choro inconsolável, sem causa aparente, no bebê que cresce bem e não tem doença. Pelos critérios de diagnóstico de Roma IV, citados pela SBP, são mais de 3 horas de choro por dia, em pelo menos 3 dias por semana, por pelo menos 1 semana, no bebê de até 4 meses. Pelo Guia Alimentar do Ministério da Saúde, a cólica costuma passar sozinha entre os 3 e os 6 meses. Se for só cólica, a SBP diz que ela é passageira, não precisa de exames e não está indicado tirar o leite de vaca da dieta da mãe. Pelo NHS, do Reino Unido, gotas e suplementos para cólica não são recomendados, e a Caderneta lembra que, até os 6 meses, o bebê não precisa de chá. Pelo NHS, nunca sacuda o bebê, e choro fraco, agudo ou diferente do normal pede serviço de urgência na hora.

Pela Caderneta da Criança, o choro é um comportamento normal: é uma das maneiras que o bebê tem de se expressar 4. Na maioria das vezes, ele se acalma no colo ou no peito, e bebê não fica viciado em colo; para ficar independente, ele precisa se sentir seguro e cuidado, por isso a Caderneta pede para evitar deixar o bebê chorando sozinho 4.

Por que o bebê chora

Com o tempo, a mãe e quem cuida do bebê aprendem a entender o que ele precisa na hora do choro: se está com sono, frio, calor, dor, cólica, fralda suja, ou se precisa de carinho e atenção 5. Pelo Guia Alimentar, o choro é o último sinal de fome: antes, o bebê abre a boca e vira a cabeça como se buscasse o peito, fica inquieto e põe as mãos na boca; amamente sempre que ele pedir 5.

O NHS, o serviço de saúde do Reino Unido, lista os motivos mais comuns: fome, fralda suja ou molhada, cansaço, vontade de colo, gases, calor ou frio, tédio e estímulo demais 3. Pelo NHS, pode haver horas do dia em que o bebê costuma chorar muito e não se acalma; as mais comuns são à tarde e à noite 3. O choro costuma aumentar por volta das 2 semanas de vida e diminuir aos poucos por volta dos 3 meses 3.

O que é cólica

Pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a cólica do bebê é feita de crises de choro que se repetem e duram muito 1. O bebê chora sem se consolar, fica agitado ou irritado, sem causa clara, e não dá para prevenir nem resolver essas crises 1. Isso acontece no bebê que cresce bem e não tem doença 1.

Pelos critérios de diagnóstico de Roma IV, citados pela SBP, a cólica aparece no bebê de até 4 meses, com crises de mais de 3 horas por dia, em pelo menos 3 dias por semana, por pelo menos 1 semana 1. Hoje, a SBP vê a cólica como um distúrbio passageiro, que faz parte do desenvolvimento normal do intestino do bebê 1.

Pelo NHS, também pode ser cólica se, durante o choro: é difícil acalmar o bebê; ele fecha as mãos com força; fica com o rosto vermelho; encolhe os joelhos para a barriga ou arqueia as costas; a barriga ronca ou ele solta muitos gases 2. Não se sabe exatamente o que causa a cólica 2.

Até quando dura. Pelo Guia Alimentar do Ministério da Saúde, a cólica costuma aparecer a partir de 6 semanas de vida e passar sozinha entre os 3 e os 6 meses 5. O NHS dá um prazo mais curto: pode começar com poucas semanas de vida e costuma passar entre os 3 e os 4 meses 2. O Cotokim segue o prazo do Ministério da Saúde, que é a orientação oficial brasileira; na dúvida, siga a equipe que acompanha o bebê.

O choro pode ter outras causas. Pelo NHS, o bebê pode estar com fome, com a fralda suja, com gases, com refluxo ou com o intestino preso, e, se você não tiver certeza do que é, o melhor é falar com um profissional de saúde 2. O refluxo está em golfada e refluxo no bebê, e a pega, em amamentação.

O que ajuda a acalmar

Pela Caderneta, o colo acalma o bebê e faz com que ele se sinta seguro, e, nos primeiros dias de vida, o contato pele a pele ajuda o bebê a ficar mais calmo e a chorar por menos tempo 4. A Caderneta pede também para conversar, cantar canções de ninar e fazer carinho 4.

O NHS diz que o bebê com cólica não costuma precisar ir ao médico por isso, mas, se você não tiver certeza do que o bebê tem, o melhor é falar com um profissional de saúde para ter certeza 2. No Brasil, pela SBP, cabe ao pediatra avaliar se a cólica é passageira, num bebê saudável, ou sinal de alergia, e o Cotokim segue a SBP 1. Pela Caderneta, se você achar que algo não vai bem, insista para que o profissional examine o bebê 4. Para acalmar, o NHS sugere 2:

  • segurar e abraçar o bebê quando ele chora muito;
  • na mamada, manter o bebê sentado ou mais em pé, para ele não engolir ar;
  • fazer o bebê arrotar depois das mamadas;
  • embalar o bebê com calma no ombro, no berço ou no moisés, ou empurrar o carrinho;
  • deixar um barulho suave ao fundo, como rádio ou TV;
  • continuar alimentando o bebê como sempre: quem amamenta não precisa mudar a própria dieta.

O NHS sugere também dar um banho morno, que acalma alguns bebês na hora e faz outros chorarem mais 3. No banho, pela Caderneta, confira antes a temperatura da água com a mão (a ideal é 37 °C) e nunca deixe o bebê sozinho na banheira ou na bacia 4. O NHS lembra que, se a mãe amamenta, deixar o bebê mamar no peito pode ajudar a acalmar, e sugere conversar com o bebê e cantar 3. Se o bebê dormir num passeio de carro, tire-o da cadeirinha assim que possível e deite-o numa superfície firme e plana 3, de barriga para cima 4; as regras do sono estão em sono seguro. Às vezes, embalar e cantar demais podem deixar o bebê acordado 3.

O que não fazer

  • Gotas e suplementos para cólica: pelo NHS, remédios para cólica, como gotas, suplementos de ervas ou probióticos, vendidos em farmácias e lojas, não são recomendados, e não há evidência de que ajudem 2.
  • Chá antes dos 6 meses: pela Caderneta da Criança, até os 6 meses o bebê não precisa de chá, água, suco ou outro leite; água ou chá antes do 6º mês podem atrapalhar a amamentação e aumentam o risco de o bebê ficar doente 4.
  • Remédio sem receita: a Caderneta pede nunca dar à criança remédio que não tenha sido receitado pelo médico 4.
  • Chupeta e mamadeira: a Caderneta pede para não oferecer mamadeira nem chupeta, porque atrapalham a amamentação 4.
  • Manipular a coluna ou o crânio: o NHS pede para não tentar pressionar a coluna (manipulação) nem o crânio (osteopatia craniana) do bebê: há pouca evidência de que funcione, e pode machucar 2.
  • Mudar a dieta da mãe por conta própria: pela SBP, se a cólica não é sinal de doença, não está indicado tirar o leite de vaca da dieta da mãe nem mudar a alimentação do bebê que mama no peito 1. Numa força-tarefa da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica, de 2019, citada pela SBP, 90,9% dos especialistas concordaram que não há evidência para tirar o leite de vaca da dieta da mãe quando o bebê saudável tem só a cólica 1. Pelo Guia Alimentar do Ministério da Saúde, a dieta da mãe, em princípio, não costuma causar cólica, e não se recomenda tirar alimentos da dieta de quem amamenta; mas a mãe deve ficar atenta se a cólica aparece ou piora nos dias em que come um certo alimento e, na dúvida, buscar orientação profissional 5.

Sobre mamadeira, bico e chupeta. O leite materno é um alimento completo: até os 6 meses, é o único alimento de que o bebê precisa, sem água, chá ou outro leite, e a amamentação vai até os 2 anos ou mais. Ele protege o bebê de doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Mamadeira, bico e chupeta atrapalham a amamentação: podem causar doenças e problemas nos dentes e na fala do bebê e dificultar a volta ao peito. A mamadeira ainda pede preparo e limpeza cuidadosos a cada uso. Se houver necessidade, quem orienta é a pediatra ou a equipe de amamentação.

Fontes: Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania, Menina, 7ª edição revisada; Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos (versão resumida); Decreto nº 9.579, de 22 de novembro de 2018 (consolida atos normativos sobre lactente, criança e adolescente; Título II, Capítulo I, regulamenta a Lei 11.265/2006).

Nunca sacuda o bebê

Pelo NHS, por maior que seja a frustração, nunca sacuda o bebê: sacudir move a cabeça dele com violência e pode causar lesão no cérebro 3. Pode haver horas em que você se sente tão cansada e com tanta raiva que acha que não aguenta mais 3. Isso acontece com muitos pais: não tenha vergonha de pedir ajuda 3. A Caderneta lembra que a mãe precisa do apoio da família e dos amigos para também se manter calma e segura 4.

Se não houver ninguém para ficar com o bebê por um tempo e o choro estiver estressando você, o NHS orienta pôr o bebê no berço ou no carrinho, num lugar seguro, fechar a porta, ir para outro cômodo e tentar se acalmar; combine um tempo com você mesma, como 10 minutos, e volte 3. Essa pausa curta é para a hora do limite: no dia a dia, a Caderneta pede para evitar deixar o bebê chorando sozinho 4.

O NHS sugere anotar quando e com que frequência o bebê chora, por exemplo depois de toda mamada ou à noite: isso pode ajudar a equipe de saúde a procurar uma causa e pode ajudar você a ver as horas em que precisa de mais apoio 3.

Cólica ou alergia?

Na prática, a alergia à proteína do leite de vaca entra na lista do que pode parecer cólica, e cabe ao pediatra avaliar se a cólica é passageira, num bebê saudável, ou parte de uma alergia, em que o bebê tem outros sintomas além dela 1. Na alergia em que os sintomas aparecem horas ou dias depois do contato com o alimento, os sinais citados pela SBP incluem diarreia, com ou sem sangue, ou intestino preso, cólicas, golfadas que se repetem, sono agitado, irritabilidade, recusa em mamar, problemas na pele e pouco ganho de peso 1. Atenção: pela Caderneta, no bebê com menos de 2 meses, fezes com sangue são sinal de perigo, que leva ao serviço de urgência 4.

Quando o pediatra decide tirar o leite de vaca da dieta da mãe, a SBP diz que é preciso, depois de duas semanas, voltar com o leite de vaca para confirmar a alergia; sem esse teste, muitas mães ficam em dieta por mais tempo do que precisam 1. Quando o pediatra conclui que é só cólica, a SBP orienta que ele explique aos pais que ela não é grave e passa, que não precisa de exames, que o bebê não está doente e não corre risco 1.

Quando procurar atendimento

No Brasil, a Caderneta da Criança traz os sinais de perigo por idade, que levam ao serviço de urgência 4. No bebê com menos de 2 meses, entre eles: não conseguir mamar, febre de 37,5 °C ou mais, temperatura de 35,5 °C ou menos, urina escura e fezes com sangue 4. Depois dos 2 meses, que é a idade da maioria dos bebês com cólica, entre eles: não conseguir mamar ou tomar líquidos, vomitar tudo o que come e bebe, dificuldade para respirar ou respiração rápida e muito sono, com dificuldade para acordar 4. Se for difícil levar o bebê ao serviço de urgência, ligue para o Samu, no 192; a ligação é gratuita 4. A lista inteira está em sinais de perigo no bebê, e a febre, em febre no bebê.

Pelo NHS, procure o médico se você estiver preocupada com o choro, se nada parece funcionar, se está difícil dar conta, se o bebê não cresce ou não ganha peso como esperado ou se os sinais de cólica continuam depois dos 4 meses 2. Choro constante que não se consola, ou que não parece o choro normal dele, pode ser sinal de doença; com sinais de doença, como febre ou falta de interesse em mamar, procure o médico 3.

Pelo NHS, procure um serviço de urgência na hora se o choro do bebê está fraco ou agudo, ou diferente do choro normal dele 2. O NHS manda chamar a ambulância se o bebê 3:

  • tem convulsão;
  • fica com a pele, os lábios ou a língua azulados, acinzentados, pálidos ou manchados; na pele negra ou parda, isso pode ser mais fácil de ver na palma das mãos ou na sola dos pés;
  • não responde, fica molinho ou não acorda com a facilidade de sempre;
  • tem dificuldade para respirar (você pode ouvir gemidos ou ver a barriga afundar embaixo das costelas), está sem fôlego ou respira muito rápido;
  • vomita em jato muitas vezes;
  • está com a temperatura alta ou baixa;
  • tem manchas na pele que não somem quando você aperta;
  • não molhou nenhuma fralda nas últimas 8 horas.

No Brasil, o atendimento móvel de urgência é o Samu, no 192, e a ligação é gratuita 4.

Perguntas frequentes

Até quando dura a cólica do bebê?

Pelo Guia Alimentar do Ministério da Saúde, a cólica costuma passar sozinha entre os 3 e os 6 meses 5. Pelo NHS, costuma passar antes, entre os 3 e os 4 meses 2. O Cotokim segue o Ministério da Saúde. Se você estiver preocupada ou se os sinais de cólica continuarem depois dos 4 meses, o NHS orienta procurar o médico 2.

Colo vicia?

Não. Pela Caderneta da Criança, bebê não fica viciado em colo, e o colo costuma acalmar 4.

Pode dar chá para cólica?

Até os 6 meses, não. Pela Caderneta, o bebê não precisa de chá nessa idade, e chá ou água antes do 6º mês podem atrapalhar a amamentação e aumentam o risco de o bebê ficar doente 4.

Gotas para cólica funcionam?

Pelo NHS, gotas, suplementos de ervas e probióticos para cólica não são recomendados, e não há evidência de que ajudem 2. E remédio, só o que o médico receitar 4.

A mãe precisa cortar o leite da dieta por causa da cólica?

Se for só cólica, não: a SBP diz que não está indicado tirar o leite de vaca da dieta da mãe quando a cólica não é sinal de doença 1. Essa dieta só entra quando o pediatra avalia que a cólica faz parte de uma alergia, com outros sintomas além dela, e sempre com o teste de voltar o leite de vaca depois de duas semanas 1.

Escrito por Equipe CotokimConferido por Equipe Cotokim com as fontes desta página, em 13 de outubro de 2026

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Aleitamento Materno, Guia Prático de Aleitamento Materno, atualizado (nº 165, 26 de agosto de 2024). Lido em 12 de outubro de 2026.
  2. NHS, serviço de saúde do Reino Unido, Colic (revisada em abril de 2022). Lido em 12 de outubro de 2026.
  3. NHS, serviço de saúde do Reino Unido, Soothing a crying baby (revisada em abril de 2026). Lido em 12 de outubro de 2026.
  4. Ministério da Saúde (BVS MS), Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania, Menina, 7ª edição revisada. Lido em 11 de outubro de 2026.
  5. Ministério da Saúde (Biblioteca Virtual em Saúde), Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos (versão resumida). Lido em 11 de outubro de 2026.